DO PORTAL TERRA - Em terça-feira oficial de Momo, a Orquestra Voadora, banda que terminou se transformando em bloco no Rio de Janeiro, arrastou uma multidão de jovens, senhores, crianças e personagens fictícios que caminharam em ritmo de marchinha pelo Aterro do Flamengo. O grupo, que existe desde 2008, trouxe novamente um espírito circense à paisagem carioca, com um abre-alas formado por pernas de pau e um público disposto a curtir essa (teoricamente) despedida do Carnaval. Com uma orquestra fundada basicamente nos instrumentos de sopro, a Voadora entoou clássicos bem díspares como Na Cadência do Samba, de Ataulfo Alves e Paulo Gesta, e Beat It, de Michael Jackson, no que era acompanhada pelo tradicional coro etílico do "laiá laiá".Entre o público, muitos homens vestidos de mulheres - o que é uma prática entre os participantes do bloco - e fantasias fáceis e rápidas de confeccionar. Vestidos do "triunvirato da alegria" (parafraseando o prefeito Eduardo Paes para batizar o Carnaval carioca) da turma de Chaves - Kiko, Chiquinha e o próprio Chaves - os capixabas Rodrigo Mantovaneli, Lorena Mantovaneli e Francisco Fiorese, dois deles morando no Rio de Janeiro, juram que toda a produção carnavalesca lhes custou apenas meia hora no Saara, centro do Rio onde se encontra todo tipo de adereço e indumentárias. E admitem que já se apegaram ao recentemente fortalecido Carnaval de rua do Rio: "até já tentamos ir pra Sapucaí, mas nunca conseguimos conciliar. E não abrimos mão de um bloco de rua por causa do sambódromo", afirmou Fiorese.
Ali ao lado, um trio de rapazes colocava em prática uma tática de guerrilha para conseguir descolar algumas meninas. "Essa fantasia de paquitas já rendeu bastante neste Carnaval." Mas estão à procura de outras paquitas ou paquitos? "Como assim? Sem preconceito, mas nós somos lésbicos! Só queremos paquitas", disse Gadi Tzadok, ao lado das demais "paquitas": Baru Avivi e Fábio Ayala. Em tempo: o trio não quis revelar suas verdadeiras identidades e deu à reportagem nomes de amigos seus que, segundo eles, não "pegaram" ninguém neste Carnaval.
Sininhos com varinhas e colados vestidos verdes se equilibravam na rampa de grama em frente à pista. As amigas Gabriela, Júlia, Amanda, Laura e Alba vieram de vários cantos do Brasil e do mundo: São Paulo, Belo Horizonte, Uberlândia e até da Itália. "Tem amigas misturadas aqui, do trabalho, da vida", explicou uma delas. Curtindo a folia desde sábado, as garotas frequentaram vários blocos carnavalescos no estilo da Voadora, como o Sargento Pimenta - que toca músicas dos Beatles em ritmos brasileiros variados. "A gente também desfilou na Grande Rio. Não deu pra ver a escola toda... a gente só viu a nossa ala e só tinha gringo bobo", afirmou Laura entre risos. Gabriela e Júlia, mais tocadas com o incêndio que atingiu os barracões da agremiação na Cidade do Samba em fevereiro, caracterizaram a apresentação na Sapucaí como "indescritível" e "emocionante".
Curioso apenas notar que, em meio a um vasto cardápio de caipirinhas, cervejas e, claro, várias mensagens (e práticas) a favor da liberação da maconha, leques de papel jaziam pela grama do Aterro. Impresso nesses leques, a mensagem distribuída para os foliões pouco dispostos à leitura: "Existe uma alegria que não depende dos quatro dias de Carnaval, nem de fantasia. Ela é real. Jesus Cristo é a fonte da verdadeira alegria."
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